Governo defende proteção às famílias, enquanto clubes e empresas questionam prejuízos e segurança jurídica; encontro não decidiu sobre a retomada da atividade.
O futuro das apostas online no Brasil voltou ao centro do debate nesta terça-feira, 3 de novembro, durante audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF). Conduzido pelo ministro Luiz Fux, o encontro ouviu representantes do governo, clubes de futebol, entidades do setor e especialistas sobre os efeitos da Medida Provisória 1.394/2026, que proibiu as chamadas bets no país.
A audiência não representou uma decisão sobre a liberação ou a proibição definitiva das plataformas. O objetivo foi reunir informações para a análise das ações que questionam a medida. A regra permanece em vigor, conforme informou o Ministério Público Federal em publicação nesta quarta-feira (4).
Durante as exposições, representantes do governo defenderam a proibição como resposta aos danos associados às apostas. O Ministério da Justiça e Segurança Pública e a Advocacia-Geral da União sustentaram que a regulamentação anterior não foi suficiente para proteger a saúde, a renda e o convívio familiar, especialmente entre pessoas vulneráveis.
Do outro lado, representantes de clubes de futebol questionaram os efeitos da interrupção dos contratos de patrocínio. Flamengo, Fluminense, Botafogo e Cruzeiro apresentaram preocupações com perdas financeiras, empregos e compromissos firmados quando a atividade era autorizada. Entre os argumentos estavam a necessidade de segurança jurídica e de um prazo de transição adequado.
Entidades ligadas às apostas também defenderam o aperfeiçoamento da fiscalização e das regras de proteção aos consumidores. Seus representantes argumentaram que a proibição pode deslocar apostadores para plataformas clandestinas, sem os controles exigidos das empresas regulamentadas.
Na abertura do encontro, Fux afirmou ter formado, após os debates anteriores, a percepção de que as bets deveriam ser banidas. O ministro ressaltou, porém, a necessidade de reunir os novos argumentos para avaliação pelos demais integrantes do tribunal. Sua manifestação individual não equivale a uma decisão do STF.
A discussão segue nas frentes judicial e legislativa. Enquanto o Supremo analisa os questionamentos à constitucionalidade da medida provisória, cabe ao Congresso decidir sobre sua conversão em lei. A audiência desta terça acrescentou argumentos a esse processo, sem autorizar a retomada das operações.
Fontes
- STF — Audiência pública sobre a medida provisória que proibiu as bets
- STF — Governo defende medida, e setor esportivo alerta para prejuízos
- MPF — Manifestação e contexto da tramitação da medida
- Abras — Síntese das exposições, com informações do STF
- Agência Brasil — Posicionamento de Luiz Fux durante a audiência




